Um pediatra, uma mãe… Nosso mundo em evolução 🎼

Eu amo a possibilidade de pensar. Por mais óbvio que isso possa parecer, creia, não é. Pelo simples fato de que o não pensar é mais fácil, nos sentimos seguros com as opiniões prontas, afinal, elas já foram vividas. 
Voltei (voltamos) de São Paulo mudos e calados. Eu de um lado com os olhos pescando tamanhas eram as interrogações – e também muitas exclamações, claro!, que ele me fez ver. Não, eu já as via. Mas elas ficaram aparentes, claras, tocáveis. Tão tocáveis que me calei para pensar em cada uma. Cada pedrinha que eu pisava diariamente por motivos variados que me minavam do poder de tirá-las do meu caminho. Ou então pegá-las com as mãos e começar a erguer um castelo. Por que não?

A consulta foi longa, cheia de prosa, mais vinda que ida naquele ambiente em que Julieta se perdeu por minutos para depois respirar, sentar-se e, ufa, balançar no cavalinho de madeira. Ele “só” a observava. Jogava no lago a isca para garantir que os peixes estavam acordados. E os peixes ainda dormiam com a filha crescida, nutrida, saudável, amada e amável. 

“Com ela está tudo bem, inegável e visível. Mas e vocês?”, perguntou Caca. Pediatra com uma formação impecável, ele foge dos parâmetros que estou acostumada quando o “Dr” assume posição anterior ao nome. 

Nos acomodamos no chão, naquele tapete fofinho como o colo dele que me deu vontade deitar a cabeça pra receber um cafuné. Sim, foi nesse grau de intimidade que me senti. Talvez não tenha transparecido esse contato a ele, já que como peixinha dorminhoca, em muitos momentos pensava só nas respostas.

Minha cabeça sempre fugiu da matriz e por este motivo sempre fui taxada de “maluca, doida, subjetiva e dramática demais” – essa era eu, que nunca fui. Mesmo assim minhas poesias continuavam retratando minhas dores internas e meus textos toda intensidade que eu penso que a vida merece. 

E, cara… O Caca está aí pra provar! Ele e tantos outros profissionais e mães que estão cruzando meus caminhos nos últimos tempos. Sim, complexidade faz parte da estrada de quem pensa. E sim, quero toda essa complexidade permeando meus passos enquanto deste mundo eu fizer parte. 

Voltei de lá e comentei com amigas com ar inquieto em como tenho sede para cutucar as escolhas, dedilhar as feridas, saltitar pelos poros! Não tenho sossego e minhas amigas também não. Não temos sossego como mães (da licença: mães de esquerda) que querem pensar a vida. 

E me conta qual é a melhor escola para uma criança que o exemplo dos adultos? 

Esse médico ali, sentado no chão, alinhavou um bom pedaço da colcha que estou costurando. A Fabiolla (do Colher de Pau, amor eterno), passa a linha na agulha quase todos os dias aqui em casa! Minha terapeuta acaricia as minhas asas que estavam amassadas embaixo das blusas. Eu? Quero tudo isso. Quero cutucar ainda mais. Quero saber que não sei nada. Quero mais quatro filhos. Quero assistir a inúmeros filmes franceses, viajar com meus bebês e tomar garrafas de vinho sem pressa mesmo tendo um neném acordando para mamar muitas e inúmeras vezes. Quero respeitar o meu tempo, olhar nos meus olhos, sentir o vento que assopra para trazer brisas que me fazem inflar os pulmões. De amor, de dor, de sofrer, de alegria, de raiva, de união, de tudo. Tudo faz parte do todo, né?

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